15 de Janeiro
Andávamos ansiosos para relatar mais e mais coisas…
Minha maior preocupação era fazer dessa ferramenta apenas um diário gastronômico. O que não é de fato.
Creio que nossa inspiração seja sempre pelo estômago. Mas não podemos nos furtar de relatar o último ocorrido. Mesmo que já tenhamos nos forçado a não relatar somente comidas. Mas o nosso ocorrido é impossível não comentar. Lugar: suposto restaurante Open Brasil.
Há uma diferença clara entre comida exótica e comida mal feita. Nem tenho tanta criatividade para colocar o leitor a par da situação vexatória em que nos colocamos ao pedir um risoto (pós-Alessandro), e um vinho…
Foi o que gostei de definir por: “Esquizofrenia gastro-pirotécnica”. Um risoto feito sem queijo, sem manteiga e sem fundo… O arroz padrão Rodoviária, os ingredientes grosseiramente cortados e equivocadamente combinados…
Nem sei do que era, comprei como se fosse de “legumes”. Mas, na verdade era uma espécie de “Arroz de canja”. Péssimo e muito caro: 23,00, que não vale nem 3 reais. Haja visto que conseguimos comer 1 a 3 % do prato.
Vinho da noite: Los Cardos – Doña Paula – Malbec – 2007. Estava médio/ruim. Quente! E o garçom, coitado, colocou – após abrir – a rolha, junto com o saca-rolha, dentro do bolso… E devolveu 10 minutos depois, atirando-a na mesa.
Um absurdo! Nota pra comida: dois… Não chegamos a ir embora ou pedir que o “chefe” enfiasse um dedo na tomada. Mas deu muita vontade.
Àqueles que imaginam de 23,00 é barato pra comida, vamos esclarecer que aqui em Pelotas se come o que há de melhor em termos de carnes, arroz, saladas e vinhos em bandejões, quiosques e churrascarias por 30.
O lugar tem um layout de moderno e bem arrumado. Muito bonito, bem decorado, exceto pelas frases “clichês” da nacionalidade brasileira nas paredes. Uma excrescência! Banheiros bonitos e bem decorados.
Tudo muito bom para uma possibilidade de restaurante que iria ficar bom daqui a quatro anos. Porém, creio que não durará mais de seis meses numa cidade assim.
Tenho até vontade de ir de novo – daqui há meses – para ver se estou sendo muito severo, ou se é real a desqualificação do lugar. Tivemos muitas expectativas. Pois, me parece ser um dos únicos lugares em Pelotas que tenta ser um “restaurante de chef” ou cozinha de “autor”.
Péssimo, não vale!
Até.
Gustavo Reinecken
(Ator/Professor em Brasília)
Publicado no diário de bordo: www.gustavoreinecken.zip.net
(discussão e andanças sobre algumas localidades da Metade Sul)